18 de abril de 2008

O inevitável

Chief Operations Officer do Yahoo!7, a joint venture entre o gigante da internet americana e um dos maiores grupos de mídia da Austrália, Bruno Fiorentini desembarca no Brasil dia 20 de maio com um objetivo. Ele está convencido que as mídias sociais são uma realidade inevitável para o mundo corporativo e as empresas devem explorar o potencial de marketing e relacionamento oferecido por esse novo canal de comunicação. "As companhias têm de assumir a liderança do processo e precisam aprender a administrar a situação onde os seus consumidores querem participar do negócio", afirma o executivo. Fiorentini vem ao Brasil à convite de BITES para ser um dos palestrantes do workshop "Conexões de Negócios através de Mídia Social – Porque as empresas precisam conversar com os seus consumidores", organizado pela revista BITES. Há dois anos à frente da operação com o grupo Seven, que edita revistas, tem canais de TV e ainda internet. Além disso, o executivo integra o conselho de administração de outra joint venture entre o Yahoo! a maior operadora de telefonia da Nova Zelândia. Fiorentini está convencido da necessidade das empresas "conversarem" com o seus consumidores através de vários pontos de acesso proporcionados pelas mídias sociais. "O consumidor quer entrar em contato com a marca porque gosta dela ou têm alguma opinião interessante para oferecer", diz o COO do Yahoo!7. "Nesse aspecto, é melhor ser transparente e gerenciar essa demanda do cliente do que fingir que ela não existe." Ter medo do cliente é uma visão ultrapassada e muito defensiva e que não se encaixa a realidade atual do mundo dos negócios.

Antes de assumir a atual posição, Fiorentini ocupou por vários anos a presidência do Yahoo! Brasil e nos últimos tempos acumulava à direção da subsidiária argentina. Além das suas funções na Austrália, o executivo está envolvido em projetos globais do Yahoo! e um deles tem relação direta com mídias sociais. "É uma grande oportunidade de negócios que está se abrindo de maneira consistente e perene." Por isso, Fiorentini descarta a possibilidade das mídias sociais serem mais uma bolha da internet. Como alguém que acompanhou de perto a explosão e derrocada do mundo das pontocom, ele enxerga muitas diferenças no momento atual. "Lá atrás era um mercado que estava sendo descoberto e formado. Hoje ele já existe", explica o executivo. Ele tem uma visão bem particular como as empresas devem ocupar esse espaço nas mídias sociais. Fiorentini acredita que para o bem de todos os envolvidos a internet está longe de ser um campo de guerra entre as marcas e os seus consumidores, numa espécie de Procon virtual. A lógica é exatamente o contrário. As mídias sociais devem ser utilizadas para aproximar quem produz de quem compra e ainda proporcionar um canal de comunicação como nunca existiu antes na história do capitalismo. "Devemos discutir casos concretos e conceitos em lugar de produtos e soluções específicas", afirma o executivo do Yahoo!7. Informações oficina@bites.com.br.

16 de abril de 2008

48 horas

A Tecnisa anunciou em vários canais a entrada do executivo Carlos Alberto Julio na presidência da construtora. Houve um comunicado para os acionistas, outro para os clientes e um post no blog que a companhia mantém atualizado na internet. O novo presidente não esperou para saber o que pensavam da sua chegada. Ao fazer uma primeira leitura do próprio blog, ele soube o tamanho do desafio que teria pela frente e como a Tecnisa se relaciona com a sua base de clientes. "Vi logo que o modelo era de transparência total e que nada ficava sem resposta", afirma Carlos Alberto, que antes de assumir a atual posição estava à frente da organizadora de eventos executivos HSM. O texto sobre Carlos Alberto foi publicado às 15h58 do dia 08 de janeiro passado. Às 20h05 do mesmo dia, a cliente Caroline Correa fez o primeiro comentário: "Opa, um novo presidente!!! Será que a partir de agora vocês vão dar valor a QUALIDADE???????????

Porque o meu apartamento carece de QUALIDADE." Em seguida foram outras sete mensagens. Algumas de elogio e outras de reclamações sobre a Tecnisa. Só que a história não se encerra aqui. O novo presidente soube no primeiro dia de trabalho que nenhuma questão ou crítica publicada no blog fica sem resposta da companhia. "Temos mais 25 mil visitantes por mês no blog e, por padrão, respondemos qualquer questionamento em até 48 horas", afirma o presidente da Tecnisa. Desde então, Carlos Alberto Júlio se permite algumas vezes a responder pessoalmente aos comentários dos clientes publicados no blog. A Tecnisa é, sem dúvida, a construtora que melhor faz uso da mídia social. O blog é apenas um pedaço de uma arrojada estratégia que garantiu no ano passado a venda de 350 apartamentos pela internet. Para 2008, a meta é chegar a 700 unidades comercializadas. O atendimento acontece das 06h da manhã até meia-noite.

Outro detalhe importante sobre o mergulho da Tecnisa no mundo da mídia social envolve o modelo matemático construído em torno dos links patrocinados. A construtora tem um lote de 15 mil palavras compradas do Google. Quando alguém faz uma busca, por exemplo, por gravidez ao lado do resultado aparece um link para a página da Tecnisa. Só que a estratégia segue um roteiro bem interessante. Do total de palavras-chave compradas, a Tecnisa faz questão de ter algumas com erros de português. Foi dessa forma que um apartamento acabou sendo vendido no ano passado após a cliente escrever "gravides". Diante de resultados tão interessantes, a construtora brasileira foi reconhecida pelo próprio Google como o melhor caso mundial no setor imobiliário envolvendo o recurso dos links patrocinados.


14 de abril de 2008

O seu economista

PhD em Economia pela Universidade de Manchester na Ingletarra e dono de um mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, o professor José Carlos Cavalcanti (jcc@creativante.com.br) tem outras virtudes. Uma delas é sua aptidão por tecnologia. Ele passou os últimos anos tentando entender o impacto do softwares e hardwares no processo econômico. Estudou, comparou, debateu com os seus pares da economia e terminou se transformando naquilo que pode ser chamado num economista 2.0. Agora, Cavalcanti, que se divide entre as aulas na Universidade Federal de Pernambuco e a sua consultoria empresarial, está na fase final de um novo empreendimento. "Chegou o momento de conversar com as pessoas físicas e jurídicas sobre o impacto da economia nas suas vidas e negócios", afirma. Cavalcanti vai lançar até o final do ano o primeiro serviço de aconselhamento econômico com uso intensivo de mídia social. Ele usará os recursos disponíveis das novas tecnologias para massificar a interpretação de fatos que hoje estão restritos ao noticiário dos grandes veículos de comunicação. O projeto ainda não foi batizado, mas ganhou da equipe envolvida o codinome de Alô Economista. A idéia inicial é ampliar o blog do próprio Cavalcanti e acrescentar vídeos no Youtube, uma comunidade no Orkut, um grupo de discussão e até um perfil no Facebook. Em todos esses canais os conceitos do Alô Economista estarão à disposição dos seus leitores. Essa será a versão aberta do projeto. A estratégia de Cavalcanti é oferecer um serviço de baixo custo para pequenas e médias empresas interessadas em entender como as mudanças da economia afetam os seus negócios. "É possível imaginar a confusão provocada nas empresas de pequeno porte quando o governo diz que voltará a elevar a taxa de juros", diz o professor.  Os clientes do serviço pago receberão semanalmente um boletim de análise de conjuntura do Brasil e do mundo.

Cavalcanti ainda está estruturando o seu modelo de negócio, mas uma possibilidade é seguir a lógica do editor da revista Wired, Cris Anderson, que defende a tese de produtos gratuitos.  O jornalista, criador do conceito de Long Tail, acredita que os consumidores não estão dispostos a pagar por informação ou conteúdo, mas há empresas interessadas em financiar essa operação. "Estou conversando com algumas instituições financeiras interessadas no envio de análises de qualidade para os seus clientes", afirma Cavalcanti. Outra opção seria apostar na publicidade on-line que só cresce a cada dia no Brasil e no mundo. Como as análises do PhD em Economia e da sua equipe serão empacotadas em diversos formatos, Cavalcanti acredita que não faltarão oportunidades dos anunciantes associarem suas marcas às informações de interesse do grande público. A idéia de criar esse tipo de consultoria massificada começou a ser formulada anos atrás quando o economista descobriu o ambiente da internet e a possibilidade quase infinita de oportunidades. No início, ele pensou em lançar um site, mas a chegada dos recursos de mídia social entregaram em suas mãos a plataforma mais viável e rentável do ponto de vista econômico. Nada será criado. O conteúdo trafegará pelos canais existentes. O Alô Economista está longe de ser uma novidade na internet, mas a idéia do projeto não é enfrentá-los. Pelo contrário, o objetivo do economista e sua turma é conectar o seu produto a tudo que seja parecido no mundo da mídia social.

A segunda fase do projeto é mais ambiciosa. Cavalcanti pretende montar em Recife um call center especializado em aconselhamento econômico. Mais uma vez a idéia é poupar o usuário de qualquer desembolso na hora de buscar respostas para as suas dúvidas. A conta será paga por anunciantes que comprarão créditos e repassarão aos seus clientes. Os atendentes poderão ser estudantes universitários de Economia ou mesmo de Administração de Empresas que ajudarão pessoas de todo o Brasil a entender um pouco mais dos efeitos da economia em suas vidas. Essa central de esclarecimento de dúvidas estará ligada umbilicalmente ao projeto na internet. Por isso, ela será o segundo movimento do projeto do professor da UFPE. "Precisamos antes montar um grande banco de dados das dúvidas mais comuns de que  nos acessa pela internet", afirma Cavalcanti.

Os internautas e o uso do telefone celular

Os usuários intensos de Internet e de telefonia celular são considerados um dos segmentos mais importantes para o mercado de telecomunicações. Embora correspondendo a uma pequena parcela da população atual, a análise de seu comportamento pode ajudar a projetar algumas tendências para este mercado nos próximos anos. O IBOPE Inteligência e a Revista Connect realizaram recentemente um estudo com este segmento da população, considerando três eixos principais: atualização tecnológica, planejamento financeiro e assimilação do aparelho às práticas cotidianas (freqüência, intensidade de uso e variedade de utilização de recursos e serviços). Foram identificados cinco grupos de internautas usuários de telefone celular:
1) Hightech: interessados em constante atualização tecnológica, estando sempre em dia com as novidades do mercado; é o grupo mais jovem;

2) 24 horas: indivíduos altamente ligados ao celular, 24 horas por dia, como o próprio nome diz; é o grupo relativamente mais feminino;

3) Conectados: bastante dependentes do celular e das conexões que ele permite, realizando diversas tarefas cotidianas através dele;

4) Conservadores: utilizam o celular de maneira muito tradicional, apenas para fazer ligações e, ainda assim, em casos extremos; é o grupo com maior participação de indivíduos maduros;

5) Controlados: apresentam uma preocupação central com os gastos com a compra e a manutenção do celular (conta, créditos); predominam neste grupo indivíduos da classe B.


Embora os Hightech sejam a “menina dos olhos” de qualquer empresa do setor, é necessário dizer que o padrão de comportamento deste tipo de usuário de telefone celular não pode ser diretamente transportado para os demais grupos, como se fosse apenas uma questão de tempo para que todos caminhassem em busca de constante atualização tecnológica. Há uma série de nuances que determinam estes tipos de comportamento e que devem ser consideradas. Assim, diferentes tipos de novidades de mercado (novas tecnologias e planos de minutos, por exemplo), influenciam de maneira diversa o comportamento de cada grupo. Entretanto, em todos os segmentos, o aparelho celular foi considerado o principal ítem “indispensável” em uma relação entre os vinte e três ítens comumente carregados na bolsa, na mochila ou na pasta. O celular foi considerado mais importante entre os documentos, chave de casa, cartões de banco, crédito e até mesmo o dinheiro.

Acreditem se quiser!!!