Alessandro Barbosa Lima é o decano do monitoramento de redes sociais (comunidades on-line e blogs) no Brasil. Em 2004 após concluir o mestrado na Universidade de São Paulo (USP), ele e seu sócio Jairson Vitorino transformaram a tese numa empresa, a E-Life. Nos primeiros momentos, a dupla chegava nos potenciais clientes com o argumento que descobrir o que o mundo digital estava falando das marcas era algo relevante. Por um bom tempo, a E-Life voou em céu de brigadeiro. Empresas internacionais com produtos semelhantes nunca se interessaram pelo mercado local em função da dificuldade de traduzir os softwares para o trabalho. Dessa forma, a E-Life evangelizou o mercado e chegou ao atual patamar de mais de 30 clientes, desde instituições financeiras e grandes companhias. O desafio da E-Life agora é manter essa dianteira. O cenário fica cada dia mais difícil porque outras empresas estão lançando produtos similares com a mesma promessa de entrega de resultados. "Há espaço para quem é sério e de certa forma só ficarão os mais qualificados", afirma Barbosa Lima. Os ataques estão chegando de todos os lados. Um deles vai partir da Pólvora Comunicação, que tem entre seus sócios Edney de Souza, o pioneiro das mídias sociais brasileiras e um dos primeiros blogueiros com relevância do Brasil. "Existe uma demanda de nossos clientes e vamos ajudá-los a buscar essa resposta", afirma Edney. A Pólvora pretende utilizar os relatórios para elaborar estratégias de relacionamento com os protagonistas das mídias sociais. Nesse ponto, Edney e Barbosa Lima ficarão em campos opostos. Barbosa Lima acredita na separação entre quem faz a pesquisa daquele que executa a operação. "Nesse aspecto queremos ser iguais ao Ibope. Nunca vi o instituto fazendo campanhas eleitorais para políticos. O Ibope só faz pesquisas", diz Barbosa Lima. A visão de Edney é bem diferente. Para o diretor da Pólvora, as empresas que estão nesse mercado precisam entregar respostas completas aos seus clientes. "É nossa missão ajudá-los a entender melhor o mundo das redes digitais de relacionamento e o monitoramento é um passo nessa direção", afirma. A febre do monitoramento não pára na E-Life e na Pólvora. Há no mercado vários serviços à disposição. As assessorias de imprensa, por exemplo, estruturam produtos dessa natureza com o objetivo de ofertar esse mecanismo para os seus clientes. Companhias de pequeno porte e empresas estrangeiras ensaiam a entrada no País com ofertas de baixo custo, mas sem a entrega de relatórios em português. As metodologias variam pouco. A regra comum é identificar o volume de comentários e classificá-los em positivos, neutros e negativos. O trabalho é feito com a ajuda de robôs que varrem a Internet em busca das palavras-chave selecionadas pelos clientes e depois entram os analistas das empresas com a classificação manual de cada dado. É um trabalho braçal. Só que identificar o que falam das marcas dentro das redes sociais é apenas parte da tarefa. Ter um relatório quantitativo em mãos não significa nada e pode até virar um problema para quem acha que esses dados são suficientes. "Os números são irrelevantes diante do contexto no qual a marca foi elogiada ou comentada", afirma Aloisio Sotero, BPO da Dufry Brasil. "Monitorar para dizer que está monitorando não significa nada."
7 de outubro de 2008
Todos querem fazer monitoramento
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26 de setembro de 2008
Jornal na TV
O foco da IdeaValley é criar serviços baseados em tecnologia para o mercado editorial. A estréia nesse universo, em 2004, aconteceu com o lançamento de um sistema de publicação digital, o Flip, capaz de colocar as páginas de jornais dentro da Internet. Desde então, a companhia montou uma substantiva carteira de clientes do porte do O Globo, no Rio de Janeiro, e das publicações do grupo RBS do Rio Grande do Sul. Agora, a IdeaValley resolveu sofisticar a sua distribuição do conteúdo dos seus clientes. O próximo passo será permitir aos jornais oferecer aos assinantes o acesso por meio de telefones celulares. A Gazeta de Vitória no Espírito Santo já está utilizando a versão mobile do Flip. A lógica da IdeaValley é bem simples. Hoje o conteúdo dos jornais que usam seu software está acessível para 49 milhões de pessoas, o número de brasileiros conectados à internet. Com a telefonia celular o contingente pode dobrar ou mesmo triplicar. "E não vamos parar nesse canal de distribuição", afirma Juliana Laxe, diretora da empresa. "A intenção a médio prazo é permitir que as notícias dos jornais sejam acessadas através da televisão." A aposta da IdeaValley é na expansão da tecnologia de TV Digital. Nesse novo mundo cada aparelho de TV, além de receber o sinal da emissora, poderá se conectar à internet. E em lugar de receber o jornal preferido na porta de casa, o consumidor terá como acessá-lo direto na sua TV. "A nossa estratégia é proporcionar várias portas de acesso ao seu conteúdo dos jornais", afirma a executiva. O projeto do Flip TV ainda deve demorar a sair do papel, mas enquanto isso a IdeaValley continua pesquisando novas opções de tecnologia para o mundo editorial. A última é o "Repórter Digital" capaz de fazer a leitura dos textos publicados para deficientes visuais. Com todo esse portfólio, a IdeaValley tem hoje a hegemonia do mercado de publicações digitais de jornais. Sua concorrente mais próxima é a DigitalPages de São Paulo que tem como clientes o jornal O Estado de São Paulo e várias revistas da Editora Abril.
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24 de setembro de 2008
O exemplo brasileiro
O Brasil terá a chance de dizer na próxima edição do Internet Governance Forum, a conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) que discute a governança da rede, como conseguiu fechar um acordo sem precedentes no mundo. Marcado para dezembro, na Índia, o IGF 2008 está com a sua agenda de trabalho em construção, mas um tema já faz parte da ordem do dia: os crimes virtuais e o uso da Internet por redes internacionais de pedofilia. E nesse ponto, o Brasil terá muito a contribuir sobre a construção de barreiras legais para enfrentar o problema. Na semana passada, o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia do Senado, Magno Malta (PR-ES), participou com convidado da reunião preparatória do IGF 2008. O parlamentar não estava sozinho. Ele viajou acompanhado de dois dos mais ativos procuradores da República no combate a esse problema, André Ubaldino e Carla Sandoval, e de representantes do Comitê Gestor da Internet (CGI). A organização do IGF considera que o Brasil pode acrescentar muito ao debate que está em andamento no resto do mundo. O País quebrou um paradigma ao fechar um acordo com as empresas donas de redes de relacionamento, como o Google (Orkut) e a Microsoft (MSN), sobre crimes na rede, em particular a pedofilia. Essas companhias assinaram com as autoridades acordos que resultaram em compromissos de total colaboração na investigação de denúncias envolvendo pedófilos ou criminosos digitais. "Foi uma grande vitória da sociedade brasileira", afirma António Tavares, integrante da Comissão de Combate à Pedofilia do CGI e um dos convidados da comitiva do senador. Desde a sua primeira gestão à frente da Associação Brasileira dos Provedores de Acesso (Abranet), Tavares (atavares@dialdata.com.br) insiste que o combate a esse tipo de crime só pode ser feito envolvendo todos os interessados em enfrentar o problema. "Sem a ajuda das empresas, que entenderam a dimensão e a complexidade do problema, qualquer investigação ficaria mais complicada, como acontece em outras partes do mundo." É essa história que os brasileiros devem contar aos participantes do IGF 2008 que está programado para a cidade indiana de Hiderabad. Como parte da ação da ONU, o IGF tem uma importância estratégica para a Internet. A edição do ano passado, no Rio de Janeiro, serviu para colocar assuntos de extrema importância, como a governança da rede, na pauta de representantes de diversos governos e instituições internacionais. Este ano não será diferente, e o Brasil com o acordo mostrará que os benefícios da rede são bem superiores aos problemas que podem ser provocados pelo seu mau uso.
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23 de setembro de 2008
A lógica da WebCo
Uma conversa de pouco mais de 30 minutos é suficiente para entender a lógica que o engenheiro de computação Manoel Lemos está imprimindo na sua companhia, a WebCo. Com a ajuda de lápis e papel, ele rascunha o que para muitos seria um modelo de negócios, mas que para ele é apenas uma das variáveis do seu empreendimento. As premissas são relacionadas logo no início do diálogo com o interlocutor. Para Lemos não existe a possibilidade de pensar diferente. Ele está diante de um mercado que não pára de crescer e que a cada dia exige mais produtos com cores locais. Lemos e seus investidores, entre eles o grupo sul-africano Napster, que também é sócio do grupo Abril no Brasil, querem criar um negócio baseado no tripé de conteúdo gerado pelo consumidor, com alta dose de interatividade e um acentuado sotaque em português. "Não pensamos em nada que não envolva essa equação", afirma o executivo. Dentro desse modelo já existem dois produtos. O primeiro é o BlogBlogs, o maior indexador de blogs em português e que já catalogou mais de 2 milhões de blogs no País. Desses 400 mil podem ser considerados ativos. São aqueles que os seus donos publicam posts pelo menos uma vez por semana. O Blogblogs conseguiu em pouco tempo ser a principal central de informações desse mercado no País. De certa forma, o serviço é um dos mais fiéis espelhos da mídia social brasileira. Ninguém monta um desses endereços hoje sem antes cadastrá-lo no serviço de Lemos. É lá que estão os mais relevantes personagens, audiências e tendências desse universo. O BlogBlogs funciona como uma caixa de ressonância da web 2.0 nacional. Lemos montou esse negócio antes da chegada dos seus sócios que o ajudaram na construção da segunda marca da companhia, o Brasigo, que funciona como uma espécie de Orkut verde-amarelo. A idéia do serviço é proporcionar aos seus usuários a troca de conteúdo de qualquer natureza sem a barreira da língua. O português é o idioma dentro do Brasigo. A Webco reúne essas duas marcas e estuda outras possibilidades de negócios. "Somos o primeiro empreendimento brasileiro de web 2.0", afirma Lemos. Sua estratégia é bem segmentada. No primeiro momento, ele não pensa em enfrentar os dois extremos da Internet brasileira. Num dos cantos estão os grandes grupos de mídia nacionais que transferiram sua lógica de conteúdo de qualidade para dentro da rede. Essas marcas, como o UOL ou G1 das Organizações Globo, ainda não se transformaram em desenvolvedores de serviços de web 2.0. Quem cumpre este papel são as marcas mundiais desse mercado como Google e MSN, mas sem uma preocupação de criar cores locais para seus produtos. "É esse intervalo que vamos ocupar", afirma Lemos. Para evitar uma pressão comercial sobre o processo criativo do negócio, Lemos só está contratando, por enquanto, especialistas no desenvolvimento de novos produtos. Gente de vários pontos do País. Um dos últimos funcionários saiu de Manaus, no Amazonas, para se reunir ao grupo de 30 funcionários da WebCo. Até o final do ano serão 50 pessoas dedicadas exclusivamente ao BlogBlogs, Brasigo e os novos serviços ainda na prateleira.
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12 de setembro de 2008
Todos ganham
Diretor do Secundum Comunicação e Marketing, Jobson Lemos, é um dos mais antigos e relevantes associados do programa de afiliados do Mercado Livre, o maior serviço de leilões virtuais da América Latina. Para gerar mais visitas ao seu endereço e aos produtos em exibição, a empresa abriu os códigos do seu software para programadores de toda a região interessados em montar vitrines virtuais dos itens à venda no leilão em troca da remuneração por tráfego. É um grande negócio para a companhia e para os afiliados que podem ganhar comissões em dinheiro com um nível mínimo de conhecimento de programação. O problema desse modelo é a necessidade de indexar os códigos com bastante regularidade e dessa forma aparecer com mais freqüência nas buscas na internet. É um trabalho que exige tempo, paciência e bom conhecimento técnico. Até agora, o Mercado Livre não havia descoberto uma maneira eficaz de massificar essa sua estratégia. O Secundum parece ter resolvido o problema. Lemos entende como poucos a arte de colocar links nas páginas do seu site com os produtos anunciados no serviço de leilões. Ele passa mais de doze horas por dia analisando os códigos em busca de um refinamento. Diante desse conhecimento que já lhe rendeu bons dividendos nos últimos anos e noites de trabalho, Lemos construiu um novo modelo de negócio. Ele desenvolveu um script (um software que pode ser inserido em qualquer página na web) que permite ao dono do site e blog montar automaticamente uma vitrine virtual do Mercado Livre. A única exigência é ser cadastrado no serviço, o que é muito simples de acontecer. Mais de 200 blogs já aderiram à iniciativa do diretor do Secundum. Em alguns casos endereços de grande audiência. "A intenção é estruturar uma comunidade de negócios em torno de um bom modelo de afiliados", afirma Lemos, que ainda fornece atualização dos dados e códigos e assessoria tecnológica para a sua rede de parceiros. Quem utiliza o programa de computador nada paga e ainda ganha comissão do Mercado Livre em função do tráfego. Esse valor varia de R$ 500 a R$ 3.000 por mês com situações de até R$ 5.000 mensais. Da rede de associados, Lemos nada ganha. Quem paga a conta para ele é o Mercado Livre que fechou uma espécie de acordo operacional com o Secundum. Qualquer problema nessa rede é administrado por Lemos e mais empreendedores associados que se encarregam do suporte e manutenção do software. "É um ganha, ganha, ganha... entre todas as partes", afirma o executivo do Secundum. Um aspecto interessante dessa estratégia é que os donos de sites ou blogs podem construir uma modelo de receita recorrente complementar ao tradicional AdSense do Google, que usa os espaços nas páginas da internet para fazer publicidade on-line de sua rede de clientes. "Essa iniciativa do Secundum agrega valor aos nossos negócios", afirma Wagner Fontoura, diretor da CoWorkers, que administra duas comunidades de blogs com mais de 100 conteúdos diferentes. Para o Mercado Livre o negócio é extremamente atraente porque a comissão só é paga quando o tráfego chega ao seu endereço. No ano passado, o Mercado Livre, faturou US$ 85 milhões fazendo a intermediação de vendas e compras de seus 28 milhões de usuários na América Latina, cerca de 70% no Brasil. E o programa de afiliados contribuiu de maneira decisiva com este resultado. "Nesse negócio ninguém perde", afirma Jobson Lemos, que nem lembra mais do tempo que passava madrugadas nas redações de jornais e revistas onde trabalhou escrevendo reportagens para os seus leitores. O mundo da internet é mais divertido e no seu caso bem mais lucrativo.
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27 de agosto de 2008
O Wiki da HTC
A diferença entre blogs e um wikis está na forma de produção do seu conteúdo. No primeiro o autor compartilha suas impressões sobre o mundo, negócios ou assuntos específicos com os seus leitores. É a lógica de um interagindo com muitos. No segundo modelo o conteúdo é construído de maneira coletiva com a intervenção de todos com acesso a ele. Um wiki é um espaço de colaboração viva e que empresas estão descobrindo como um grande canal de interação dos seus produtos com os seus clientes. É uma pesquisa quantitativa e qualitativa em tempo real onde a marca enfrenta seus consumidores sem disfarces. É em função dessa experiência já desenvolvida no exterior que a fabricante de celulares HTC lançou nesta semana o seu wiki em português. A idéia é que cada dono de um celular da marca deixe no ambiente virtual suas impressões, queixas e até elogios sobre os equipamentos. "O lugar onde o conhecimento é compartilhado" é o slogan da página da companhia que servirá para essa experiência com os clientes brasileiros. A HTC quer correr todos os riscos e deixar cada consumidor expressar livremente sua opinião. Na outra ponta espera colher dados relevantes para melhorar os seus produtos. A versão brasileira do Wiki chega dois anos após o lançamento nos Estados Unidos. Lá, o resultado tem superado todas as expectativas desde que entrou no ar em julho de 2006. No mercado americano são analisados todos os modelos. Aqui, por enquanto, apenas os nove vendidos aos brasileiros. No primeiro mês de operação, o Wiki em inglês já tinha mais de 100 novas páginas. Em janeiro de 2007, segundo o paper da empresa responsável pelo projeto a Waggener Edstrom, o ambiente reunia 2.000 colaboradores regulares e 52 mil visitantes mensais. A iniciativa brasileira chega no momento que os smartphones (telefones celulares que funcionam como computadores de mão ) da empresa ganham mercado entre os adeptos desse tipo de equipamento. A HTC pretende com essa estratégia criar uma comunidade de usuários que de alguma forma contribuirão com informações e resoluções de problemas comuns nos seus equipamentos. Esse recurso implicará na redução de custos do serviço de atendimento ao consumidor porque cada resposta de um cliente funcionará como um SAC customizado.
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14 de agosto de 2008
Kassab e os blogs
Candidato à reeleição, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) experimentou uma nova sensação como político na tarde desta quinta-feira, dia 14. Diante de 16 blogueiros que juntos representam uma audiência de cerca de 6 milhões de visitantes mensais, o candidato do DEM passou uma hora conversando sobre um tema, que a cada dia se torna mais recorrente: como a administração pública de uma cidade, estado ou mesmo país pode utilizar as redes digitais de relacionamento para estreitar a comunicação com os cidadãos. "A internet é um instrumentos eficaz para conversar com um maior número de pessoas de maneira mais organizada", afirmou o prefeito. "Esse nosso encontro aqui prova que cada um vocês é uma propagador natural de informação e não podemos mais ignorar essa realidade." Organizado pela revista BITES, o objetivo do encontro é colocar na agenda dos candidatos a prefeito de São Paulo o tema das mídias sociais como canal de interação entre a máquina pública e os contribuintes. Kassab trouxe para a discussão alguns números relevantes que atraíram a atenção dos presentes. O prefeito citou, por exemplo, o sucesso dos telecentros de acesso gratuito à internet. Nas 300 unidades em operação já passaram mais de 1 milhão de pessoas e a demanda existente cresce a cada dia de uso pelos paulistanos, em especial os moradores da periferia. "A demanda hoje é por mais 600 telecentros e vamos construí-los na medida do possível", afirmou o prefeito. Ele também anunciou sua intenção de colocar à disposição da fiscalização da população por meio da internet 50% do orçamento da cidade. O primeiro passo será o lançamento nos próximos dias de um portal de educação no qual será possível consultar todos os gastos na área. A etapa seguinte envolverá o setor de saúde do município. "O mundo mudou e as pessoas querem acompanhar de perto o trabalho de quem elegeram", disse o candidato. Sobre a campanha eleitoral, Kassab conta que vai ampliar os recursos utilizados em seu site para mostrar seu programa de governo. No site de campanha há um blog, que ainda não permite a inserção de comentários feitos pelos leitores, além de vídeos filmados durante suas visitas aos diversos bairros de São Paulo. Segundo o candidato, seria um grande erro desprezar as novas mídias durante uma campanha eleitoral. Os convidados perguntaram ao prefeito sobre a necessidade de levar à população informações de serviços que podem ser feitos via internet e como usá-los. "Nesse ponto a política de comunicação digital da prefeitura deveria ser descentralizada para garantir mais agilidade nas respostas à população", afirmou Edney de Souza, editor da rede Interney.net, que hoje é uma das maiores do Brasil com uma audiência de 4 milhões de visitantes mensais. "Após essa conversa houve um salto qualitativo na visão da prefeitura em relação às mídias sociais", explicou Vagner Fontoura, diretor da Riot, empresa de publicidade em blogs e comunidades on-line.
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5 de agosto de 2008
Capital social
Diretor do IBOPE Inteligência, Marcelo Coutinho está longe de demonstrar preocupação com aqueles que acham que ele está na direção errada. De certa forma, ele até gosta dessa situação porque lhe sobra mais tempo para elaboração dos conceitos que costuma defender em suas palestras e entrevistas. E no atual momento essa situação também tem se revelado muito útil. Coutinho quer ir de encontro a uma verdade que se tornou absoluta no nascente mundo das mídias sociais: a relevância de um blog ou de uma comunidade on-line é medida pela sua audiência. É dessa forma que anunciantes, agências de propaganda e profissionais da área estão procurando fechar negócios. "Todos os internautas são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros", afirma Coutinho. Sua estratégia para neutralizar a louvação à audiência numérica é trazer o conceito de capital social da sociologia clássica para dentro do universo 2.0. Na Wikipedia está claro o que significa o termo. "O que vale mais, um blog com mil visitas 1000 pessoas mas sem comentários ou um blog no qual os 100 leitores deixam comentários à vontade?", questiona o diretor do IBOPE. E quanto maior o capital social da audiência maior será a relevância de quem estiver associado a ele. Coutinho está bem acompanhado nesse raciocínio. O presidente do Yahoo!Brasil, Guilherme Ribenboim, reconhece que a audiência é uma variável do jogo no universo 2.0, mas não é a única como muitos acreditam. "No nosso caso, por exemplo, queremos construir um capital social relevante junto aos formadores de opinião desse novo mercado no Brasil", afirma o executivo. Não à toa, o Yahoo! desenhou um projeto envolvendo o conteúdo de 100 blogs nacionais. E a audiência de cada um deles não foi um fator determinante para a montagem da lista. "É certo que as pessoas querem tráfego em suas páginas, blogs ou comunidades, mas esse movimento precisa ser acompanhado de um traço de qualidade", afirma Ribenboim. E essa variável deve ser revestida de usuários relevantes que façam diferença no final do dia para o conteúdo do endereço na internet. A dificuldade, por enquanto, mas que a própria tecnologia se encarregará de resolver, é quantificar o capital social de cada produto de mídia social. "Mas tudo será uma questão de tempo. Um blog ou uma comunidade será importante à medida que for possível identificar o nível de relevância de quem dela participa", afirma René de Paula, dono de uma função batizada de User Experience Evangelist na Microsoft Brasil. "Audiência anônima é possível construir de maneira rápida e barata. Relevância demora um pouco mais e se sustenta no longo prazo." Nesse ponto, vale retornar ao diretor do IBOPE. Coutinho já aplicou sua metodologia essa lógica em pesquisas comunidades e blogs de finanças, bens de consumo e telecomunicações e verificou que os indicadores funcionam de maneira consistente nesse mundo. E com bastante regularidade atualiza com este tema o blog da sua área restrito, por enquanto, aos seus clientes. "O caminho da relevância pelo capital social vai se revelar muito mais proveitoso para as empresas do que a comunicação maciça e indiscriminada com qualquer blog ou comunidade baseado simplesmente na sua "audiência". Afinal, é muito mais fácil monitorar, influenciar e dialogar com pequenos grupos representativos do que uma multidão.
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30 de julho de 2008
Rito de passagem
Há várias possibilidades de interpretar o lançamento na noite desta terça-feira, em São Paulo, da joint venture entre a agência de comunicação RMA e a Blogcontent formada por blogueiros de primeira linha. Da união nasceu a Pólvora, especializada em desenvolver ações, planos ou estratégias para empresas interessadas em construir relacionamentos com blogs, comunidades on-line e quaisquer outras mídias sociais. A visão mais simplista indica duas companhias, donas de habilidades diferentes, interessadas em ampliar o alcance de mercado de cada marca. Só que a Pólvora merece ser vista como um rito de passagem para os blogueiros e as agências de comunicação. A sociedade entre Edney de Souza e Alexandre Inagaki, líderes de audiência da blogosfera brasileira, e de Mário Soma e seu sócio Augusto Pinto, que por anos foi executivo da SAP no Brasil, tem um grande efeito pedagógico em duas direções. Na primeira mostra o descolamento de alguns blogueiros de seus pares que ainda insistem numa visão romântica da relação dos blogs com o mundo corporativo. "Existe um mercado diante dos nossos olhos e não temos mais como ignorá-lo", afirma Edney de Souza, que com a sua rede de blogs consegue atrai cerca de 400 mil visitantes mensais. Mesmo diante do seu pragmatismo, Edney ainda é minoria. Muitos blogueiros querem distância das empresas e de qualquer relação que se mostre, dentro desse conceito rococó, contrária a sua liberdade de conteúdo. "Não tenho mais paciência para ficar discutindo questões irrelevantes", repete Edney com uma freqüência e uma boa dose de impaciência. Para as assessorias de imprensa também vale o alerta. A RMA buscou o caminho mais difícil na hora que decidiu se associar com os blogueiros. Duas estruturas bem diferentes resolveram sentar para conversar sobre oportunidades de negócios e desse encontro a Pólvora foi constituída. De maneira geral, as agências de comunicação preferem montar departamentos próprios para atender a demanda dos clientes por mídias sociais. Algumas entram bem no jogo, mas a maioria ainda não conseguiu resolver o problema porque não teve a chance de entender qual o problema. "Se você não tiver o vírus da mídia social na corrente sanguínea da empresa você não tem nada", afirma Mário Soma, da RMA.
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Palavras-Chave Jornalismo de Indexacao
23 de julho de 2008
Sed Lex? Nem tanto
Dura Lex, Sed Lex. Realmente, a lei é dura, mas nem sempre é seguida de maneira linear. A prova está numa breve olhada sobre as campanhas nas duas maiores cidades do País. Em São Paulo, as determinações do TSE proibindo qualquer tipo de ação na internet que extrapole os limites das páginas oficiais dos candidatos está sendo cumprida sem questionamentos. Marta Suplicy, do PT, lançou um site sem grandes apelos de interatividade. O atual prefeito e candidato à reeleição Gilberto Kassab (DEM) tenta inovar sem sair dos limites da legislação, o que já levou Geraldo Alckmin (PSDB) a suspender a veiculação de vídeos do Youtube em sua página por determinação do TRE paulista. Tudo é muito diferente no Rio de Janeiro. Na eleição carioca marcas como Youtube, Orkut, Twitter, MySpace e Flickr fazem parte da estratégia dos postulantes à cadeira do ex-blogueiro e atual prefeito Cesar Maia. Eduardo Paes (PSDB), Solange Amaral (DEM) e Fernando Gabeira (PV) colocaram a sua campanha sem rodeios dentro da internet. Os três candidatos estão fazendo o que muitos colegas de outros estados gostariam de tentar, mas se sentem impedidos diante da Resolução 22.278 do TSE. Gabeira, Paes e Solange têm fotos no Flick, vídeos no Youtube e comunidades no Orkut. O candidato verde é mais arrojado. Ele já anuncia que receberá doações direto pela rede. Gabeira também divulga suas andanças pelo serviço de microblog Twitter, o software que permite atualizações por meio de telefones celulares. Solange Amaral fez na sua página um mashup, termo comum no mundo da web 2.0 que representa a união de dois serviços com o objetivo de gerar informação para os usuários. No caso da candidata democrata, ela resolveu localizar dentro do Google Maps onde moram os eleitores que deixaram em seu site. Eduardo Paes, que tem o apoio do governador Sergio Cabral (PMDB), também montou sua galeria de fotos no Flickr, a rede social de imagens do Yahoo!. O paradoxo das campanhas municipais em São Paulo e no Rio de Janeiro é um claro exemplo que a internet não pode ser regulada como tentou o TSE. O envolvimento dos eleitores com os candidatos serve para comprovar que o risco de enfrentar o TSE está valendo a pena. Não há como impedir que os políticos dialoguem com os seus simpatizantes, e que estes utilizem as comunidades ou serviços on-line para passar as mensagens certas. Outro fato importante em relação à rede é que ela não é uma concessão pública, como rádio ou televisão e diante deste fato não pode ser submetida as mesmas regras. As pessoas pagam para ter banda larga em casa, mandar emails e frequentar a rede. É assim que funciona o mundo 2.0
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Aloisio Sotero / Manoel Fernandes
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